Análise de Crescimento do País no Período do Presidente Lula

No período Lula, a economia cresceu ao ritmo de 4% ao ano: 3,5% no primeiro mandato e 4,5% no segundo. Essa taxa de crescimento foi bem superior à observada no governo Fernando Henrique Cardoso.

A coluna de hoje trata da natureza da aceleração do crescimento que houve entre o segundo mandato de FHC e os oito anos de Luiz Inácio Lula da Silva.

Para tal, emprego técnica bem simples desenvolvida por Robert Solow, acadêmico norte-americano, professor de economia do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e Prêmio Nobel de Economia.

A técnica é conhecida por decomposição do crescimento. Objetiva decompor o crescimento em seus elementos primários pela ótica da oferta: capital, trabalho e tecnologia.

O resultado desse exercício simples é que quase 100% da aceleração do crescimento que houve na passagem de FHC para Lula resultou de melhora técnica ou aumento da eficiência.

Esse resultado é um pouco frustrante, pois sabemos pouco do que é exatamente essa melhora da eficiência na decomposição de crescimento de Solow.

Explico-me. O exercício consiste em observar a evolução ao longo do tempo do crescimento dos fatores de produção, trabalho e capital.

Cruzando os dados da PME (Pesquisa Mensal de Emprego) do IBGE, que investiga a população ocupada e a jornada média de trabalho nas principais regiões metropolitanas do país, com os dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), também do IBGE –que, entre inúmeras variáveis, apresenta a população ocupada e a jornada média de trabalho para o mês de setembro de cada ano em todo o território nacional–, é possível construir uma série mensal de horas trabalhadas com abrangência nacional.

O estoque de capital é construído a partir do investimento sob a hipótese de uma taxa de depreciação constante e de que há um hiato de um ano entre o investimento e sua maturação na forma de aumento da capacidade produtiva.

O estoque de capital é o agregado de todas as máquinas, equipamentos, estruturas além da infraestrutura de transportes, portos etc., que auxilia o trabalho na produção.

Na primeira linha da tabela, encontra-se representada a taxa de crescimento média no segundo mandato de FHC, que foi de 2,7% ao ano. Esse crescimento é decomposto em 1,0% atribuído ao crescimento do estoque de capital, -0,1% atribuído à pequena redução que houve no período no nível de utilização da capacidade instalada (segundo a sondagem da indústria do Ibre-FGV), 1,5% atribuído ao trabalho e 0,2% à melhora da eficiência.

Dois pontos são importantes. Primeiro, a soma de todas as partes resulta na taxa de 2,7%. Segundo: a última parcela, atribuída à melhora técnica, ou produtividade total dos fatores (PTF) no jargão da profissão, foi obtida por resíduo. Isto é, essa parcela resulta da subtração dos demais fatores do crescimento total. As partes somam o todo por construção.

Na segunda linha da tabela temos as mesmas informações para os oito anos do governo Lula. O crescimento de 4,0% ao ano pode ser decomposto em 1,0% para o capital, 0,3% para a utilização, 1,3% para o trabalho e 1,3% para a melhora técnica.

Houve, portanto, entre o segundo mandato de FHC e os oito anos de Lula, uma aceleração do crescimento de 1,3% (4,0%-2,7%). Como indicado na última linha da tabela, praticamente todo esse ganho de renda foi devido à melhora tecnológica ou ao ganho de eficiência.

A grande dificuldade de interpretarmos a aceleração do crescimento que houve no governo Lula deve-se a esse fato. Durante seus dois mandatos, não houve aceleração no emprego do fator trabalho nem aumento do investimento.

Dado que o ganho tecnológico ou o ganho de produtividade total dos fatores é um resíduo, é difícil atribuirmos um significado muito imediato a esse ganho.

Por ora, o que podemos afirmar é que, aparentemente, ao longo dos oito anos do governo Lula, a economia conseguiu extrair mais crescimento do mesmo nível de expansão do emprego do capital e do trabalho.

O espaço da coluna acabou. Deixo para a próxima coluna as especulações dos possíveis motivos que explicam essa melhora na eficiência. Trata-se de tema importante para entendermos melhor a queda de potencial de crescimento que aparentemente afeta a economia na atual administração.

 Samuel de Abreu Pessôa é doutor em economia e pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da FGV. (Matéria Publica no Folha de São Paulo – Link)

Ductor Marcus

+20 anos no Mercado Financeiro possui MBA em Finanças com Ênfase em Mercado de Capitais, é Advogado Tributarista, Teólogo e Professor. Pode ser encontrado diariamente no Twitter publicando comentários relevantes sobre o Mercado Financeiro e das Criptomoedas. ---- AVISO --- Todo o conteúdo desse site baseia-se exclusivamente na opinião dos escritores não fazendo qualquer tipo de recomendação de investimento. Não se responsabilizando por perdas, danos (diretos, indiretos ou incidentais), custos e lucros cessantes. --- Legislação --- Este site é mantido em conformidade com a Constituição Federal de 1988 no seu Art. 5°, IX : "É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;"

One thought to “Análise de Crescimento do País no Período do Presidente Lula”

  1. O estudo é interessante, mas não se pode esquecer que o desenvolvimento do país teve início naquela semente que começou com o Collor com a abertura de mercado para carros importados e outros mais, apesar de toda a polêmica do seu governo.
    Posteriormente com Fernando Henrique o Brasil foi forçado a se desapegar das suas “propriedades” e Grandes Estatais foram vendidas colocando o país numa realidade capitalista, num contexto de livre concorrência e isso se transformou no alicerce daquilo que tem dado certo hoje.
    Todo economista sabe que um grande investimento só começa a dar retornos em longo prazo principalmente quando você tem uma enorme deficiência de infraestrutura e a herança de uma imatura gestão.
    Quem se lembra da época em que ter uma linha de telefone era luxo, era um bem tão e disputado que por décadas foi objeto de litígios em separações conjugais bem como inventários. A facilidade que temos hoje de poder ir numa banca de jornal e comprar uma linha de telefone para uso imediato não pode ser ignorada. Vale lembrar toda aquela resistência em que o governo FHC foi alvo daqueles radicais que HOJE estão no poder.
    Quem se lembra do discurso padrão de Luiz Inácio Lula da Silva que não pagaria dívida externa, declararia moratória, bastou entrar no poder pra vislumbrar um mundo capitalista em que pensamentos daquele tipo fadariam ao fracasso.
    O governo dos radicais foi ajustado naquilo que eles mais criticavam, porém como pau que nasce torto nunca se endireita ainda somos sujeitos a ver posturas radicais e muitas vezes antidemocráticas como as empresas de energia que foram obrigadas a fazer investimentos para salvar o país de um apagão e agora são praticamente forçadas a aceitar condições de mercado que comprometem seriamente a saúde financeira dessas empresas. E a PETROBRAS que é impedida até mesma de fazer um ajuste de combustível porque para ESTE GOVERNO, o aumento de combustível vai gerar inflação e ele não tem condições administrar isso sem uma intervenção abusiva naquilo que era pra ser iniciativa privada.
    Há muito a ser pensado, refletir não custa nada Governo de Dilma é continuidade de uma mentalidade política do seu antecessor só mudou um nome, mas a engrenagem é a mesma.
    E não há dúvidas que o mérito de todo esse crescimento nacional de empresas e serviços não é por conta de um presidente, e sim daqueles que tiveram a coragem de investir num país tão complicado como o Brasileiro. Apesar de todas as dificuldades e deficiências em muitos serviços imagine como seria se nada disso tivesse sido iniciado antes do governo de Lula.
    Nunca votei no governo do PSDB, mas não posso ignorar porque foi nesse governo que o Brasil saiu de dentro da casca do ovo.

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